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Origem

Maltês é daqui.

É destas margens férteis, desta terra selvagem, deste solo batido pelo sol. Deste deserto no verão, misto de verde-água e neblina no inverno. Destes mirrados bosques crescendo nas margens, de onde brotam oliveiras. Deste arvoredo manchado, abrigo de animais selvagens, fonte de alimento para javalis e saca-rabos, trilho de raposas e linces.

É desta terra de azinheiras, chaparros, carrascos. Destas árvores cruas usadas pela gente raiana em modo furtivo,
para pescar, caçar, descansar, fugir do calor fogoso.
Deste rio de barcos submersos, escondidos do olhar, conservados do vento Suão. É destes ermos parcos em civilização, ricos em tudo o resto. 

Maltês é destas terras deixadas ao Deus-dará para que
Deus dê.

Essência

Maltês diz que um grande azeite não é de um olival.
É de muitos. Nem é de uma variedade de azeitonas.
É de várias.

Por isso, palmilha o Guadiana à procura de oliveiras e azeitonas selvagens. Calcorreia, andarilha, deambula.
Por entre azinheiras e saca-rabos. De saca às costas.
Apanha aqui. Poda ali. Junta o que de melhor encontra
para fazer o melhor azeite do mundo.

Ainda não é este. Mas, de terra em terra, de azeite
em azeite, vai afinando o paladar e a procura.  

Colheita

Maltês atravessou o Guadiana.

Adensou-se pelos bosques de olival e montado bravio.

Cheirou, podou, provou.

Extraiu azeitonas das variedades Arbequina,
Picual e Cobrançosa.

Produziu um azeite virgem extra de sabor frutado
verde e fresco.

Um azeite nómada com alma selvagem que, muitos meses e léguas depois, está pronto para caminhar até ao seu prato.

Gastronomia

Maltês prepara-se para deambular pela sua mesa.

Entradas, petiscos, pratos, pièce de résistance,
sobremesas, Maltês tem fome de todos.

Temperar as suas saladas. Aninhar-se nas suas sopas.
Retocar os seus grelhados. Vestir os seus peixes.
Molhar o seu pão. Pingar o seu chocolate negro.
Serpentear pelas suas massas.

Este não é um azeite para se ficar pela cozinha.
Maltês quer um lugar à mesa.

Deixe-se ir e tome-lhe o gosto.